“Drávida – Esse Povo”

Junho 25, 2009 by tantraterapia

mohenjo-daro 

Os drávidas viveram no noroeste da Índia, hoje Paquistão, há mais de 5.000 anos. Desenvolveram uma cultura fantástica. Para se ter uma dimensão, a cidade de Mohenjo-Daro era habitada por 40.000 pessoas. As ruas eram planejadas formando quarteirões em ângulo reto. As ruas principais tinham largura de 13,5 metros. Tinham sanitários dentro das residências com água corrente. Os esgotos eram cobertos. Dominavam a
irrigação de lavouras.
          Um fato particularmente importante foi a descoberta, nas escavações arqueológicas, de uma grande piscina. Quando os arqueólogos observaram a piscina, não conseguiram entender e, de imediato, pensaram em alguma destinação ritual. Não conseguiram conceber que há 5.000 anos atrás, um povo poderia construir um clube onde as pessoas iam banhar-se e divertir-se.
Talvez, por que as escavações deram-se no início do século e, na época, não eram comuns clubes para divertimento.
          Outro fato intrigante foi a ausência de templos suntuosos. As escavações de grandes civilizações até então conhecidas, tinham a presença de templos suntuosos e uma diferença significativa entre o poder dominante – nobreza e/ou clero – e o povo.
Os drávidas tinham um volume significativo de expressões artísticas.
          Destaca-se a escultura e, dentro dela, o volume significativo de esculturas femininas. Eles gostavam muito de esculpir mulheres. Embora, outras esculturas, tais como, animais, carroças, brinquedos etc fossem comuns.
Novamente, a surpresa: não havia esculturas de deuses e/ou deusas. As mulheres apareciam, geralmente, nuas, cobertas apenas por jóias.
No universo dravídico, aparecem também objetos de adorno, tais como, colares, pulseiras, tornozeleiras etc. A presença de vários dados de jogar e peças de xadrez permitem-nos concluir que esse povo gostava do jogo.
          Embora os arqueólogos não conseguissem compreender as razões dravídicas, os estudiosos de outras áreas, notadamente, os observadores das culturas materlineares, conseguiram compreender o universo dravídico.
          Os drávidas desenvolveram três filosofias diferentes, porém complementares: o Sámkhya, o Yôga e o Tantra. Para o sânscrito, as palavras terminadas em “a”, geralmente são masculinas como as descritas.
O Sámkhya é uma filosofia especulativa. Tentava explicar a origem e o destino da vida. O interessante em observar, é a ausência do conceito de Deus. Ou seja, eles explicavam o universo sem conceber um criador.
Entretanto, não podemos afirmar que fossem ateus, pois o Sámkhya não afirma, mas também não nega a presença de Deus.
          O Yôga é uma filosofia prática. Para os ocidentais, falar em filosofia “prática” soa sem sentido. Pois os drávidas já concebiam esse conceito. O Yôga dravídico não se explica, não se justifica. Faça determinada técnica e terá determinado resultado. Se você executar a técnica e não obtiver o resultado, deve ter feito algo errado.
O Tantra é uma filosofia comportamental. Explica como o homem relaciona-se consigo mesmo, com os outros seres humanos, com os animais e com a Natureza.
          Essa relação está baseada na sensorialidade. Como resultado dessa relação, aparece o culto à deusa-mãe. A mulher tem conotações especiais, pois consegue perpetuar a vida, mas não só isso, pois a mulher também é uma fonte inesgotável de sensorialidade. É adorada como a expressão máxima, a expressão mais sofisticada da natureza. É a razão das esculturas femininas aparecem em quantidade muito superior às esculturas masculinas.
          As três filosofias são dualistas no sentido em que se procura transcender a dualidade para vivenciar a unidade.
          Com esses elementos, pode-se compreender facilmente a razão pela qual não havia templos suntuosos em Mohenjo-Daro. Pode-se compreender também a razão pela qual havia um número significativo de esculturas femininas nuas, de animais, de brinquedos, de jóias e não havia esculturas de deuses e/ou deusas. A piscina faz sentido.

Por Clélio Berti 

 

 Para aguçar sua curiosidade

Os principais investigadores da civilização Drávida eram, do Século XIX – Sir John Marshal e John Bruton e do Século XX – Sir Mortimer Wheeler e Prof. Mark Kenoyer (USA).

 

 

Paw Nokoko fala sobre o teste de fogo

Abril 20, 2009 by tantraterapia

 

 

 

Koko Zan tinha centenas de alunos e vivia no outro lado do lago PEI do. Um dia ele cruzou o lago com todos os seus alunos e foi visitar Paw Nokoko. Encontrou-o sentado, nu, à beira do lago, com seu único discípulo Boundha, fumando maconha e bebendo vinho tinto importado.

Koko Zan ficou escandalizado e gritou irado:

- Paw Nokoko, você é uma fraude e está dando mau exemplo para os meus discípulos!

- Pior é que você os trouxe até mim, respondeu sorrindo Paw Nokoko, oferecendo vinho a todos os alunos de Koko Zan.

Anos mais tarde, Boundha comentava com seus discípulos:

- Muitos alunos de Koko Zan quiseram tornar-se discípulos de Paw Nokoko. Mas ele recusou-se dizendo:

- Primeiro o teste de fogo.

 

A culpa é um dos cânceres da alma. Através do sentimento de culpa, entraram em você a submissão, a invalidação, a necessidade de ser perdoado. Alguém logo surge como o salvador, o absolvedor, o grande juiz. Você se arrasta, do berço à sepultura, tremendo de culpa por algo que você nem sabe ao certo o que é. Todas as religiões têm usado a culpa para destruir sua dignidade de ser humano e fazer de você um escravo espiritual.

Você foi gerado através do sexo condenado, praticado ocultamente, às escuras, silenciosamente. À medida que você cresce em inteligência e curiosidade natural, busca saber como a vida lhe pôs aqui; a resposta é envolta de simbolismos, metáforas. Ninguém lhe diz a verdade simplesmente. Algo parece estar errado em ter nascido através do sexo.

Além do mais, existe o “pecado original”, do qual todos são hereditários. Esta tremenda culpa baseia-se na desobediência – Adão e Eva desobedeceram. Toda a humanidade está condenada!

Finalmente, ao chegar ao mundo você encontra tantas regras impeditivas da vida natural que, inexoravelmente, você infringirá algumas delas (só em pensar em infringi-las já é o suficiente para ser culpado).

Tudo isso será considerado no juízo final. A não ser que você mesmo se julgue antes – anulando-se, entregando sua liberdade espiritual àqueles que lhe convenceram que você é culpado e necessita ser salvo… Assim, é melhor punir você mesmo, agora nessa vida, do que ser punido por deus no Julgamento Final. Esse julgamento pode significar ser jogado na escuridão abismal do inferno, por toda a eternidade! A alternativa é simples: “Obedeça! Não discuta as regras. Anule-se como indivíduo. Use o Maximo possível de máscaras…”

“Tudo é criação da mente. É como um homem que pinta um diabo, uma criatura infernal, um dragão ou um tigre. Ele pinta, olha para aquilo e se assusta. Desde o inicio nada existe, exceto o que você cria com sua própria mente ilusória.”

Quando a consciência cresce, as regras morais desaparecem. Ser consciente significa olhar profundamente para a realidade, vê-la totalmente, pura e límpida. Assim, a consciência é o único critério. Se você fizer algo que fira alguém, se não for certo, não faça outra vez. Mas não se sinta culpado.

Paw Nokoko pôs uma armadilha no caminho de Koko Zan. Imediatamente ele julgou, provando ser um charlatão.

 

Texto de Prashanto em seu livro O Dragão com asas de Borboleta.

 

Osho

Fevereiro 23, 2009 by tantraterapia

girassois

 

Ao nascer, você não é uma arvore, você é

apenas uma semente, você tem de crescer até chegar ao

ponto de seu florescimento, e este florescimento

será a sua alegria, a sua realização.

Este florescimento nada tem a ver com o poder, nada tem a

ver com dinheiro, nada tem a ver com política. Tem a ver

totalmente com você: é um desenvolvimento individual.

Você tem de se tornar uma celebração em si mesmo.

 

O anseio por uma utopia é basicamente o anseio pela

harmonia no indivíduo e na sociedade. A harmonia nunca existiu, sempre houve o caos.

 

A sociedade foi dividida em culturas diferentes, religiões

diferentes, nações diferentes – e todas baseadas em

superstições. Nenhuma das divisões é valida.

Essas divisões mostram, entretanto, que o homem está

dividido internamente. São projeções de seu próprio

conflito interno. Internamente ele não é um, por isso

externamente não foi capaz de criar uma sociedade una,

uma humanidade uma.

A causa não é externa.

O exterior é simplesmente o reflexo do homem interior.

 

Ninguém tem dado muita atenção ao individuo.

E isso é a raiz de todos o problemas.

Mas, porque o individuo parece ser tão pequeno e a

sociedade parece ser tão grande, as pessoas pensam

que podemos mudar a sociedade e então os indivíduos mudarão.

Não vai ser assim -  porque “sociedade” é apenas uma

palavra; existem somente o individuo, não existe sociedade.

A sociedade não tem alma, você não pode mudar nada

nela. Você pode mudar somente o individuo, por menos

que ele pareça. E, conhecendo a ciência de como

mudar o indivíduo, pode-se aplicá-la a todos os indivíduos, em todo lugar.

 

Você nunca está completamente satisfeito com o que você

é e com o que a existência lhe deu porque você tem sido

distraído. Você tem sido dirigido para onde a natureza não

tencionava colocá-lo. Você não está se movendo em direção ao

seu próprio potencial.

Você está tentando ser o que outros queriam que você

fosse, mas isso não pode ser satisfatório. Quando não é

satisfatório, a lógica diz: “Talvez não seja o suficiente – tenha mais”.

E você vai em busca de mais e você começa a olhar em volta.

E todos estão usando uma mascara sorridente, aparentando

felicidade, assim, todos estão enganando aos outros.

Você também usa uma mascara, então os outros pensam que

você é mais feliz; você pensa que os outros são mais felizes.

Do outro lado da cerca, a grama parece mais verde. Eles olham

a sua grama e ela parece mais verde. Parece realmente mais verde,

mais espessa, melhor. Essa é a ilusão que a distância cria.

Quando você chega perto começa então a ver que não

é assim. Mas as pessoas mantêm os outros à distância.

Mesmo amigos, mesmo amantes, mantêm distância entre si.

Muita proximidade será perigoso; os outros podem ver a sua realidade.

E você foi desencaminhado desde o principio, assim,

não importa o que faça, você permanecerá infeliz. Você vê

alguém com muito dinheiro: talvez o dinheiro traga alegria,

pensa você. Olhe aquela pessoa… como parece feliz. Então

corra atrás do dinheiro. Alguém tem mais saúde – corra atrás

da saúde. Alguém está fazendo alguma coisa e parece

muito satisfeito – siga-o. Mas são sempre os outros.

 

A sociedade fez uso disso para que você nunca pense

sobre o seu próprio potencial. E todo o tormento é que você

não está sendo você mesmo. Simplesmente seja você mesmo

e então não existe tormento, não existe competição, não

existe aborrecimento, porque outros têm mais, porque você tem menos.

Se você gosta da grama mais verde, não há necessidade

de olhar para o outro lado da cerca; torne a grama mais verde

no seu lado da cerca; é tão simples tornar a grama mais verde.

O homem tem de estar enraizado em seu próprio potencial,

seja ele qual for. E o mundo ficará tão satisfeito que

você mal poderá acreditar.

 

Estar vivo significa ter senso de humor, ter uma

profunda qualidade amorosa, ter capacidade de brincar.

Para torná-lo afirmativo da vida, a brincadeira, o senso de

humor, o amor e o respeito devem estar todos reunidos.

Reverência pela vida é o único respeito pelo divino, pois

não há nada mais divino do que a própria vida.

 

Osho

 

 

 

 

 

 

 

Paw Nokoko fala sobre a vida eterna

Janeiro 31, 2009 by tantraterapia

morte

 

A folha caindo

Agora é borboleta

Voando até a flor

 Onde se transforma numa pétala…

 

A morte é uma das maiores ficções criadas pela mente humana. Todos temem a morte porque ela é o desconhecido por excelência. Ninguém sabe o que ela é exatamente. Por isso todas as religiões, sem exceção, têm algo a dizer “sobre a vida depois da morte”. Mas nenhum sacerdote poderá explicar, com clareza e segurança, que é “esta vida depois da morte”. Na realidade, todos manipulam com o medo da morte. Sobre a morte mesma, eles não têm nada de real a dizer. Por isso são todos charlatões e exploradores.

Sempre que alguém presencia a morte de outrem, está do lado de fora. Ninguém pode saber qual é a experiência subjetiva que o moribundo está tendo. Por isso, tudo que se fala sobre a morte é ficção, imaginação baseada no que se observa do lado exterior. São conclusões a partir das aparências.

Do ponto de vista subjetivo, a morte tem uma característica: tudo aquilo que você se identifica desaparece – seu corpo e suas necessidades corporais; sua mente e o processo intelectual; suas emoções e seus humores, seus desejos de poder, medos, raivas, etc.

As sensações oriundas desta desidentificação são parecidas com aquelas experimentadas no orgasmo total obtido através do sexo sadio, não-reprimido: perde-se a noção do tempo, do corpo e a mente pára. Por isso o orgasmo é também conhecido como pequena morte, e a morte como o grande orgasmo. Essa é uma das razões pela qual alguns mestres tântricos e taoístas usam o sexo sem repressão, como uma porta para a suprema experiência mística. Usam o sexo para transcendê-lo.

A morte sem meditação é precedida por um estado de coma, inconsciência profunda. Para a vida, a morte nada mais é que a mais radical e profunda cirurgia: seu SER vai ser transplantado de uma forma para outra (de um corpo para outro). Você é anestesiado, perde a consciência.

A meditação é a preparação para a morte consciente. Com ela vai-se, conscientemente, além do corpo, da mente, das emoções e humores. Pouco a pouco, aprende-se a transcender todas essas identificações – só o testemunhar permanece. Nesse momento, compreende-se que a morte não existe. A testemunha é eterna, pois ela presencia a morte porque é efêmero. Assim, o medo da morte desaparece. E no dia da sua morte (que é inexorável) você poderá permanecer como observador e, como observador, passar para o “outro lado”…

A mente, identificada com as experiências corporais, emocionais e intelectuais, sabe que com a morte ela desaparecerá. Mas você, o seu verdadeiro SER, não morre, porque você não é a mente. Isso é o que a meditação lhe provará, se você mergulhar fundo nela. Você é o Todo. O Todo é um eterno processo de transformação. A essência de todas as coisas é imutável – é a própria vida fluindo de uma forma para outra…

 

Texto: O Dragão com Asas de Borboleta – Prashanto

Tempo

Janeiro 8, 2009 by tantraterapia

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Considera-se que o tempo se divide em tres partes –

o passado, o presente e o futuro -, o que está errado.

O tempo consiste somente em passado e futuro.

É a vida que consiste do presente.

Assim, para aqueles que querem viver, não existe

outra maneira a não ser viver este momento.

Somente o presente é existencial.

O passado é simplesmente uma coleção de memórias e o

futuro nada é além de sua imaginação, de seus sonhos.

A realidade está aqui e agora.

 

O presente não tem nada a ver com tempo. Se você está

simplesmente aqui neste momento, não existe o tempo.

Existe imenso silencio, quietude, ausência de movimento;

nada está passando, tudo subitamente parou.

O presente lhe dá a oportunidade de mergulhar fundo

na água da vida, ou de voar alto no céu da vida.

Mas em ambos os lados existem perigos – “passado” e

“futuro” são as palavras mais perigosas na língua humana.

Entre o passado e o futuro, viver no presente é quase

como caminhar numa corda bamba;

existe perigo em ambos os lados.

Mas, uma vez que você tenha saboreado os

néctares do presente, você não se importa com os perigos.

Uma vez que você esteja em sintonia com a vida,

então nada importa.

 

Para aqueles que querem viver – não pensar a respeito,

mas amar; não pensar a respeito, mas ser;

não filosofar a respeito -, não existe alternativas além de

beber o néctar do presente momento.

Beba-o completamente, porque ele não vai voltar.

Quando vai embora, vai-se para sempre.

 

A vida se estende por setenta, oitenta anos;

A morte acontece em um único momento.

Ela é tão condensada que, se você viveu sua vida

corretamente, você será capaz de penetrar no mistério da

morte. E o mistério da morte é que ela é apenas uma

fachada; dentro esta sua imortalidade, sua vida eterna.

 

Não penso muito sobre o futuro porque o futuro nasce

do presente. Se pudermos cuidar do presente, estaremos

cuidando do futuro.

 

Osho

Somos Estranhos

Novembro 27, 2008 by tantraterapia

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A realidade é que somos sós, somos estranhos – e o mundo será muito melhor se aceitarmos a verdade básica de que somos estranhos.

E o que há de errado em apaixonar-se por um estranho?

Qual a necessidade de primeiro ter de destruir a sensação de estranheza para, então se apaixonar?

Uma das belezas da vida é sermos todos estranhos e não há maneira de mudar essa realidade. É lindo ter estranhos que o amam, ter estranhos como seus amigos, ter estranhos pelo mundo todo. Então o mundo todo torna-se um mistério – e ele é um mistério.

 

É um fato conhecido: você se apaixona por uma pessoa; você não se apaixona pela pessoa real, você se apaixona pela pessoa de sua imaginação. Enquanto vocês não estão juntos e você a vê de seu terraço, ou encontra a pessoa na praia por alguns minutos, ou ficam de mãos dadas no cinema, você começa a sentir: “Fomos feitos um para o outro”.

Mas ninguém é feito para o outro. Você projeta cada vez mais imaginação em cima da pessoa, inconscientemente. Você cria certa aura em volta dela; ela cria certa aura em volta de você. Tudo parece lindo porque você está fazendo isso lindo, porque você está sonhando isso, evitando a realidade. E ambos estão tentando de todas as maneiras não perturbar a imaginação do outro.

Assim a mulher está se comportando da maneira que o homem deseja que ela se comporte; o homem está se comportando da maneira que a mulher deseja que ele se comporte. Mas você pode fazer isso somente por poucos minutos ou por poucas horas, no máximo. Uma vez que você tenha se casado e tenha de viver juntos vinte e quatro horas por dia, torna-se uma carga pesada seguir fingindo algo que você não é.

Apenas para corresponder à imaginação do homem ou da mulher, quanto tempo você pode seguir representado?

Mais cedo ou mais tarde isso se torna uma carga e você começa a se vingar. Você começa a destruir toda aquela imaginação que o homem criou a sua volta, porque você não quer ser prisioneira nela; você quer ser livre e ser simplesmente você mesma.

E é a mesma situação com o homem: ele quer ser livre e ser simplesmente ele mesmo. E esse é o conflito constante entre todos os amantes, todas as relações.

 

O amor permite liberdade. O amor permite que qualquer coisa que o outro queira fazer, ele possa fazer. Tudo o que ele quiser – se o deixa em êxtase, a escolha é dele.

Se você ama a pessoa, então não interfere na privacidade dela. Você deixa intocada a privacidade da pessoa, não tenta invadir seu ser interior.

A exigência básica do amor é: “Eu aceito a outra pessoa como ela é”. E o amor nunca tenta mudar a pessoa em função da própria idéia que se tem do outro. Você não tenta cortar a pessoa aqui e ali e deixá-la do tamanho certo – o que tem sido feito em todos os lugares no mundo inteiro…

Se você ama, não existem condições. Se você não ama, então quem é você para impor condições?

Ambas as situações são claras. Se você ama, então impor condições não é o caso. Você o ama como ele é.

Se você não ama, então também não há problema.

Ele não é ninguém para você; impor condições não é o caso.

Ele pode fazer tudo o que quiser fazer.

Se o ciúme desaparece e o amor ainda permanece, então você tem algo sólido em sua vida, o qual vale a pena possuir.

 

Quando você está compartilhando seu contentamento, não cria uma prisão para ninguém; você simplesmente dá. Você nem mesmo espera gratidão ou agradecimento, porque está dando não para conseguir alguma coisa, nem mesmo por gratidão. Você está dando porque está repleto… você precisa dar. Assim, se alguém está grato, é você quem está grato à pessoa que aceitou seu amor, que aceitou seu presente. Ela o aliviou, permitiu a você que a banhasse.

E, quanto mais você compartilha e mais dá, mais você tem. Então isso não o torna um avarento, não cria um novo medo, o de que “eu posso perder isso”. Na realidade, quanto mais você o perde, mas águas frescas fluem, vindas de nascentes sobre as quais você não estava consciente anteriormente.

 

Se a existência toda é uma e se a existência toma conta das arvores, dos animais, das montanhas, dos oceanos – desde a menor folhinha de grama até a maior estrela -, então ela também tomará conta de você.

Por que ser possessivo? A possessividade mostra simplesmente uma coisa – que você não consegue confiar na existência. Você tem de conseguir uma segurança pessoal separada. Você não pode confiar na existência.

A não-possessividade é basicamente confiança na existência.

Não há necessidade de possuir, porque o todo já é nosso.

Abandone a idéia de que o apego e o amor são uma coisa só. Eles são inimigos. É o apego que destrói todo o amor.

Se você alimenta e nutre o apego, o amor será destruído; se você alimenta e nutre o amor, o apego desaparecerá por si mesmo.

O amor e o apego não são um; são duas entidades separadas e antagônicas entre si.

 

E lembre-se sempre da regra básica da vida: se você idolatra alguém, um dia você se vingará.

 

 

 

 

 

 

MEDO

Novembro 27, 2008 by tantraterapia

Todos têm um tipo de armadura.
Existem razões para isso. Primeiramente, a criança nasce completamente desprotegida em um mundo do qual ela nada sabe. Naturalmente ela tem medo do desconhecido qe está à sua frente.
Ela ainda não esqueceu aqueles nove meses de absoluta segurança e proteção – não havia problema, responsabilidade, preocupação como o amanhã. Para nós, aqueles são nove meses, mas para a criança é uma eternidade. Ela nada sabe sobre o calendário, nada sabe sobre os minutos, horas, dias, meses. Ela viveu uma eternidade em segurança e proteção absoluta, sem nenhuma responsabilidade.

E então, subitamente, ela é jogada num mundo desconhecido, no qual depende dos outros para tudo.

É natural que sinta medo. Todos são maiores e poderosos e ela não pode viver sem a ajuda dos outros. Ela sabe que é dependente; ela perdeu sua independência, sua liberdade.

Numa determinada altura, a armadura pode ser uma necessidade, mas conforme você cresce se não estiver apenas ficando velho, mas também ficando adulto – crescendo em maturidade -, então começará a perceber o que está carregando com você.

Olhe de perto e encontrará medo por trás da armadura.

Uma pessoa madura deveria livrar-se de tudo aquilo que esteja conectado com o medo. É assim que a maturidade chega. Simplesmente observe todos os seus atos, todas as suas crenças e descubra se eles têm base na realidade, na experiência, ou se têm base no medo. E qualquer coisa baseada no medo tem de ser abandonada imediatamente, sem pensar duas vezes. Ela é a sua armadura.

Sua armadura psicológica não pode ser tirada de você – você lutará por ela. Somente você pode fazer alguma coisa para abandoná-la e isso quer dizer: olhar para cada parte dela, para todas as partes dela. Se está baseada no medo, abandone-a então. Se está baseada na razão, na experiência, na compreensão, então não é algo para abandonar, mas algo para se tornar parte de seu ser.

Mas você não encontrará uma única coisa na sua armadura que tenha base na experiência. Tudo é medo, de A a Z. E seguimos vivendo a partir do medo. Isso estraga, envenena.

Buscamos a verdade, mas se é a partir do medo, então você não vai encontrá-la.

Não importa o que você faça, lembre-se de uma coisa: a partir do medo você não vai crescer, apenas encolherá e morrerá. O medo está a serviço da morte.

Uma pessoa destemida tem tudo o que a vida deseja dar a ela como dádiva. Agora não existem barreiras; você será banhado com dádivas e, não importa o que esteja fazendo, você terá uma força, um poder, uma certeza, um formidável sentimento de autoridade.

O que você precisa entender é o processo de identificação, como se pode ficar identificado com o que não se é. Neste momento você está identificado com a mente, pensa que é ela. Daí o medo. Se você está identificado com a mente, então, é claro, se a mente parar, você se acabará, você deixará de ser.

E você não conhece nada além da mente.

A realidade é que você não é a mente, você é algo além da mente; assim sendo, é absolutamente necessário que a mente pare, de modo que, pela primeira vez, você possa saber que você não é a mente – porque você continua presente.

A mente se foi, você continua presente, e com maior contentamento, maior gloria, mais luz, mais consciência, um ser mais grandioso.

 

 

 

O cio: A recuperação de uma sexualidade sagrada

Novembro 18, 2008 by tantraterapia

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As deusas sujas

                          

Há um ser que vive no subterrâneo selvagem das naturezas das mulheres. Essa criatura faz parte da nossa natureza sensorial e, como qualquer animal completo, possui seus próprios ciclos naturais e nutritivos. Esse ser é curioso, gregário, transbordante de energia em certas horas, submisso em outras. Ele é sensível a estímulos que envolvam os sentidos: a música, o movimento, o alimento, a bebida, a paz, o silêncio, a beleza, a escuridão.

É esse aspecto da mulher que tem cio. Não um cio voltado exclusivamente para a relação sexual, mas uma espécie de fogo interior cuja chama cresce e depois abaixa, em ciclos. A partir da energia liberada nesse nível, a mulher age como lhe convém. O cio da mulher não é um estado de excitação sexual, mas um estado de intensa consciência sensorial que inclui sua sexualidade, sem se limitar a ela.

Muito poderia ser escrito acerca dos usos e abusos da natureza sensorial feminina e sobre como a mulher e outras pessoas atiçam o fogo à revelia dos seus ritmos naturais ou tentam extingui-lo por completo. No entanto, em vez disso, vamos focalizar um aspecto que é ardente, decididamente selvagem e que transmite um calor que nos mantém aquecidas com boas sensações. Na mulher moderna, essa manifestação sensorial recebeu pouquíssima atenção e, em muitas regiões e períodos, foi totalmente eliminada.

Existe um aspecto da sexualidade feminina que, nos tempos remotos, era chamado de obsceno sagrado, não na acepção que damos hoje em dia ao termo, mas com o significado de uma sabedoria sexual de uma certa forma bem-humorada.

Havia outrora cultos a deusas que eram voltados para uma sexualidade feminina irreverente. Longe de serem depreciativos, eles se dedicavam a ilustrar partes do inconsciente que ainda hoje permanecem misteriosas e em grande parte desconhecidas.

A própria idéia da sexualidade como sagrada e, mais especificamente, da obscenidade como um aspecto da sexualidade sagrada, é vital para a natureza

selvática. Havia deusas da obscenidade nas antigas culturas matriarcais — assim denominadas por sua lascívia astuta, porém inocente. Contudo, a linguagem, pelo menos no inglês, dificulta a compreensão das “deusas sujas” como algo que não seja vulgar. Eis o que a palavra sujo e outros termos a ela relacionados significam. A partir desses significados, creio que ficará claro por que motivo essa antiga adoração às deusas foi empurrada para baixo do pano.

Gostaria que vocês examinassem as seguintes definições encontradas em

dicionários e chegassem às suas próprias conclusões.

Dirt (sujeira): Inglês Médio, drit, provavelmente do islandês — excremento.

Significado ampliado para incluir imundície; geralmente, o solo e a poeira, por exemplo, e obscenidade de qualquer natureza, especialmente na fala.

Dirty word (palavrão): uma palavra obscena, também usada atualmente

para designar qualquer coisa que tenha se tornado impopular ou suspeita em termos sociais ou políticos, muitas vezes através de difamação e críticas imerecidas ou por estar em descompasso com as tendências atuais.

Obscene: do hebraico antigo, ob, significando um mago, uma feiticeira.

Tudo isso, difamação. Existem, porém, fragmentos de histórias em toda a

cultura mundial que sobreviveram a vários expurgos. Eles nos informam que o

obsceno não é absolutamente vulgar, mas que lembra mais alguma criatura fantástica da natureza que desejamos muito que nos venha visitar e que venha a ser uma das nossas melhores amigas.

Há alguns anos, quando comecei a contar “histórias de deusas sujas”, as

mulheres sorriam e depois riam ao ouvir os feitos de mulheres, tanto verdadeiras quanto mitológicas, que haviam usado sua sexualidade, sua sensualidade, para transmitir uma idéia, para amenizar a tristeza, provocar o riso e, desse modo, corrigir algo que estivesse desencaminhado. Eu também me comovi com a forma pela qual as mulheres se aproximavam do limiar do riso a respeito desses assuntos. Elas primeiro precisavam pôr de lado tudo que lhes dizia que isso não seria sinal de boa educação.

Percebi como essa atitude de “boa educação” nas situações erradas realmente

sufocava a mulher em vez de permitir que respirasse. Para rir, você precisa ser capaz de soltar o ar e inspirar de novo rapidamente. Sabemos a partir da cinesiologia e de terapias do corpo, como a Hakomi, que respirar significa conhecer nossas emoções, que, quando queremos parar de sentir, interrompemos a respiração, prendendo-a no riso, a mulher pode começar a respirar de verdade e ao fazê-lo, ela talvez comece a ter sentimentos censurados. E quais poderiam ser esses sentimentos? Bem, eles acabam não sendo sentimentos, mas alívio para os sentimentos e, em alguns casos, curas para os sentimentos, como por exemplo a liberação de lágrimas contidas

ou de lembranças esquecidas ou ainda a destruição das amarras que prendiam a personalidade sensual.

Ficou evidente para mim que a importância dessas antigas deusas da

obscenidade estava na sua capacidade de soltar o que estava muito preso, de fazer dissipar a melancolia, de trazer ao corpo uma espécie de humor pertencente não ao intelecto, mas ao próprio corpo, de manter desobstruídas as passagens. É o corpo que ri das histórias de coiotes, das histórias de Tio Trungpa, das frases de Mae West, entre outras. As deusas sujas fazem com que uma forma vital de medicamento neurológico e endócrino se espalhe por todo o corpo.

Seguem-se três histórias que encarnam o obsceno nos termos em que estamos

usando a palavra, ou seja, uma espécie de encanto sexual/sensual que gera emoções agradáveis. Todas as três podem ser empregadas como histórias ilustrativas. Duas são antigas, e uma é atual. As três tratam das deusas sujas. Chamo-as de sujas porque estiveram muito tempo vagueando debaixo da terra. No sentido positivo, elas pertencem à terra fértil, à lama, ao estrume — à substância criadora da qual se origina toda arte. Na realidade, as deusas sujas representam aquele aspecto da Mulher Selvagem que é tanto sexual quanto sagrado.

 

Baubo: a deusa do ventre

Há uma expressão muito forte que diz: Dice entre las piernas, “ela fala do

meio das pernas”. Essas pequenas histórias “do meio das pernas” são encontradas em todo o mundo. Uma delas é a história de Baubo, uma deusa da Grécia antiga, a chamada “deusa da obscenidade”. Ela tem nomes mais antigos, como por exemplo Iambe, e aparentemente os gregos a adotaram de culturas muito mais antigas.

Sempre houve deusas selvagens arquetípicas da sexualidade sagrada e da fertilidade da vida-morte-vida desde o início dos tempos.

Conhece-se apenas uma referência escrita a Baubo remanescente de tempos

remotos, dando a nítida impressão de que seu culto foi destruído e soterrado pelas diversas conquistas. Tenho a forte sensação de que em algum ponto, talvez debaixo daqueles morros silvestres e lagos de florestas na Europa e no Oriente, existam templos dedicados a ela, templos lotados de artefatos e ícones de marfim.

Portanto, não é por acaso que poucos ouviram falar de Baubo, mas, lembrem-se, precisamos apenas de um fragmento para reconstituir o todo. E temos esse fragmento, porque temos uma história em que Baubo aparece. Ela é uma das divindades mais adoráveis e picarescas que habitaram o Olimpo. Esta é a minha versão da cantadora, baseada num resquício selvático de Baubo que ainda cintila na mitologia grega pós-matriarcal e nos hinos homéricos.

 

* * * * * * * * * * * *

Deméter, a mãe-terra, tinha uma linda filha chamada Perséfone, que estava

um dia brincando ao ar livre. Perséfone encontrou por acaso uma flor de rara beleza e estendeu os dedos para tocar seu lindo cálice. De repente, a terra começou a tremer e uma gigantesca fenda se abriu em ziguezague. Das profundezas da terra chegou Hades, o deus dos Infernos. Ele chegou alto e majestoso numa biga negra puxada por quatro cavalos da cor de fantasmas.

Hades apanhou Perséfone, levando-a para sua biga, em meio a uma confusão

de véus e sandálias. Ele guiou então seus cavalos cada vez mais para dentro da terra.

Os gritos de Perséfone foram ficando cada vez mais fracos à medida que a fenda foi se fechando como se nada tivesse acontecido. Por toda a terra, abateu-se um silêncio e o perfume de flores esmagadas.

E a voz da donzela a gritar ecoou nas pedras das montanhas e borbulhou num

lamento vindo do fundo do mar. Deméter ouviu os gritos das pedras. Ela ouviu, também, o choro das águas. Arrancou, então, a grinalda dos seus cabelos imortais, deixou cair de cada ombro seus véus escuros e saiu a sobrevoar a terra como uma ave enorme, procurando, chamando por sua filha.

Naquela noite, uma velha à frente de uma gruta comentou com suas irmãs que havia ouvido três gritos naquele dia um, o de uma voz jovem que gritava de pavor; um outro que implorava ajuda; e um terceiro o de uma mãe que chorava.

Não se via Perséfone em parte alguma. E assim começou a procura longa e

enlouquecida de Deméter por sua filha querida. Deméter esbravejava, chorava, gritava, fazia perguntas, procurava debaixo, dentro e em cima de todos os acidentes geográficos, implorava por misericórdia, implorava pela morte, mas não conseguia encontrar sua filha amada.

Assim, ela, que havia gerado o crescimento perpétuo tudo, amaldiçoou todos

os campos férteis do mundo, gritando na sua dor.

— Morram! Morram! Morram!

Em decorrência da maldição de Deméter, nenhuma criança poderia nascer,

nenhum trigo poderia crescer para se fazer pão, nenhuma flor para as festas, nenhum ramo para os mortos. Tudo ficou murcho e esgotado na terra crestada e nos seios secos.

A própria Deméter não mais se banhava. Seus mantos estavam encharcados de lama; seus cabelos pendiam em cachos imundos. Muito embora a dor no seu coração fosse tremenda, ela não se entregava. Depois de muita investigação, de muitos pedidos e de muitos incidentes, tudo levando a nada, ela afinal perdeu as forças ao lado de um poço numa aldeia onde não era conhecida. E quando recostou seu corpo dolorido na pedra fresca do poço, chegou por ali uma mulher, ou melhor, uma espécie de mulher. E essa mulher chegou dançando até Deméter, balançando os quadris de um jeito que sugeria a relação sexual, e balançando os seios nessa sua pequena dança.

E, quando Deméter a viu, não pôde deixar de sorrir um pouco.

A fêmea que dançava era realmente mágica, pois não tinha nenhum tipo de

cabeça, seus mamilos eram seus olhos e sua vulva era sua boca. Foi com essa

boquinha que ela começou a regalar Deméter com algumas piadas picantes e

engraçadas. Deméter começou a sorrir, depois deu um risinho abafado e em seguida uma boa gargalhada. Juntas, as duas mulheres riram; a pequena deusa do ventre, Baubo, e a poderosa deusa mãe da terra, Deméter.

E foi exatamente esse riso que tirou Deméter da sua depressão e lhe deu

energia para prosseguir na sua busca pela filha, que acabou em sucesso, com a ajuda de Baubo, da velha Hécate, e do sol Hélios. Restituíram Perséfone à sua mãe. O mundo, a terra e o ventre das mulheres voltaram a vicejar.

 

* * * * * * * * * *

Sempre gostei mais dessa pequena Baubo do que de outras deusas na mitologia grega, talvez mais do que de qualquer outra figura, ponto final. Ela sem dúvida tem como origem as deusas do ventre do período neolítico, que são misteriosas figuras sem cabeça e às vezes sem pés e sem braços. É insignificante chamá-las de figuras de fertilidade, porque elas são muito mais do que isso. Elas são talismãs da conversa da mulher — vocês sabem, aquele tipo de conversa que as mulheres nunca, nunca mesmo, teriam na frente de um homem, a não ser que fosse sob circunstâncias raras esse tipo de conversa.

Elas representam sensibilidades e expressões exclusivas em todo o mundo: os seios, e o que é sentido dentro desses bichinhos sensíveis, os lábios da vulva, nos quais a mulher tem sensações que outros podem imaginar mas que só ela sabe. E a gargalhada é um dos melhores remédios que a mulher pode ter.

Sempre considerei que o kaffeeklatsch era um remanescente de algum antigo

rito feminino de reunião, um ritual de conversa íntima, mulheres falando com suas entranhas, dizendo a verdade, rindo até parecerem bobas, revigoradas, de volta ao lar, sentindo tudo melhor.

Às vezes é difícil conseguir que os homens se afastem para que as mulheres

possam ficar a sós. Só sei que antigamente as mulheres estimulavam os homens a fazer uma “excursão de pesca”. Trata-se de um ardil usado pelas mulheres desde tempos imemoriais com o objetivo de fazer com que os homens saíssem por algum tempo a fim de que elas pudessem ficar sozinhas ou só com outras mulheres. As mulheres desejam estar numa atmosfera exclusivamente feminina de quando em quando, quer sós quer com outras. Trata-se de um ciclo feminino natural.

A energia masculina é agradável. Ela é mais do que agradável; ela é

exuberante, grandiosa. No entanto, ela às vezes lembra um banquete de chocolates. Depois, ansiamos por arroz frio e puro durante alguns dias e um caldo quente e simples para limpar a boca. Precisamos fazer isso de vez em quando.

Além do mais, a pequena deusa Baubo nos dá a idéia interessante de que um

pouco de obscenidade pode ajudar a desfazer uma depressão. E é verdade que certos tipos de riso, que provêm de todas as histórias que as mulheres contam umas para as outras, histórias que são tão apimentadas ao ponto de serem de total mau gosto… essas histórias ativam a libido. Elas acendem o fogo do interesse da mulher pela vida.

A deusa do ventre e a gargalhada são o que procuramos.

Portanto, acrescente à sua coleção de medicamentos essas histórias típicas de

Baubo. Essa forma diminuta de história é um remédio poderoso. A história engraçada e “suja” pode não só acabar com a depressão como arrancar da raiva o coração irado, deixando a mulher mais feliz do que antes. Experimente e verá.

Agora não posso me estender muito acerca dos dois aspectos seguintes na

história de Baubo, pois eles se destinam a ser debatidos em pequenos grupos e somente entre mulheres, mas posso afirmar o seguinte: Baubo tem um outro aspecto — ela vê com os mamilos. É um mistério para os homens, mas as mulheres em seminários concordam entusiasticamente e dizem saber exatamente do que estou falando.

Ver com o mamilos é sem dúvida uma qualidade sensorial. Os mamilos são

órgãos psíquicos, sensíveis à temperatura, ao medo, à raiva, ao barulho. Eles são órgãos dos sentidos tanto quando os olhos na cabeça.

E quanto a “falar com a vulva”, trata-se simbolicamente de falar a partir da

prima matéria, o nível mais básico e honesto da verdade — a boca vital. O que mais haveria a dizer além de que Baubo fala do filão mestre, da mina profunda, literalmente das profundezas. Na história em que Deméter procura sua filha, ninguém sabe que palavras Baubo teria realmente dito a Deméter. Mas podemos ter algumas idéias.

 

Coyote Dick

Creio que as piadas que Baubo contou a Deméter eram piadas de mulheres a

respeito desses belos transmissores e receptores: os órgãos genitais. Nesse caso, talvez Baubo tenha contado a Deméter uma história como a que se segue, que ouvi há alguns anos de um administrador de estacionamento de trailers em Nogales. Seu nome era Old Red e ele alegava ser de origem indígena. Ele não estava usando sua dentadura e não se barbeava há alguns dias. Sua esposa simpática, Willowdean, tinha o rosto bonito, porém castigado. Ela me disse que havia uma vez quebrado o nariz numa briga de bar. Eles possuíam três Cadillacs, nenhum funcionando. A mulher tinha um Chihuahua que mantinha preso num cercadinho na cozinha. Ele era o tipo de homem que não tira o chapéu nem quando está sentado no vaso sanitário.

Eu estava recolhendo histórias e havia chegado ao seu território com meu

pequeno trailer Napanee.

— Vocês conhecem algumas histórias típicas dessa região? – comecei, querendo dizer sua terra e redondezas.

Old Red olhou para a mulher com um sorriso matreiro e frouxo e a provocou,

debochado.

— Vou contar para ela a história de Coyote Dick.

— Red, não conte essa história para ela. Não vá me contar essa história.

— Vou lhe contar a história de Coyote Dick de qualquer jeito — afirmou Old

Red. Willowdean pôs as mãos na cabeça e falou direto para a mesa.

— Red, não conte essa história. Estou falando sério.

— Vou contar, e é agora mesmo, Willowdean. Willowdean sentou-se de lado,

com a mão tapando os olhos como se tivesse ficado cega.

Eis a história que Old Red me contou. Ele disse que a havia ouvido “de um

índio navajo, que a havia ouvido de um mexicano, que a havia ouvido de um hopi“.

 

Era uma vez Coyote Dick, e ele era tanto a criatura mais esperta quanto a mais tonta que jamais se podia esperar encontrar. Ele estava sempre querendo comer alguma coisa, sempre trapaceando as pessoas para conseguir o que queria e, em qualquer outra hora, estava dormindo.

Bem, um dia quando Coyote Dick estava dormindo, seu pênis ficou realmente

entediado e resolveu abandonar Coyote para viver sozinho uma aventura. Foi assim que o pênis se soltou de Coyote Dick e saiu correndo pela estrada. Na realidade, ele pulava pela estrada afora já que possuía só uma perna.

E ele foi pulando e pulando, e se divertindo até que saltou da estrada e entrou na floresta, onde — Ah, não! — ele pulou direto numa moita de urtigas.

— Ai! — gritou ele. — Ai, ai, ai! — berrou ele. — Socorro! Socorro!

O barulho dessa gritaria toda acordou Coyote Dick e, quando ele estendeu a

mão para dar partida no coração com a manivela, como de costume, viu que ela não estava mais lá. Coyote Dick saiu correndo pela estrada, segurando-se no meio das pernas, e afinal encontrou seu pênis passando pela maior dificuldade que se pudesse imaginar. Com grande delicadeza, Coyote Dick tirou seu pênis aventureiro do meio das urtigas, acarinhou-o, tranqüilizou-o e o devolveu ao seu lugar certo.

Old Red ria como um louco, com acesso de tosse, olhos saltados e tudo o mais.

— Essa é a história do velho Coyote Dick.

— Você se esqueceu de contar o final — repreendeu-o Willowdean.

— Que final? Já contei o final — resmungou Old Red.

— Você se esqueceu de contar para ela o verdadeiro final da história, seu

porcaria.

— Ora, se você se lembra assim tão bem, então conte você mesma. — A

campainha tocou e ele se levantou da cadeira desconjuntada.

Willowdean olhou direto para mim, e seus olhos cintilavam.

— O final da história é a moral. — Nesse instante, Baubo apoderou-se de

Willowdean, pois ela começou a dar risinhos, a rir abertamente e afinal a gargalhar tanto, e até com lágrimas, que levou dois minutos para conseguir dizer as duas últimas frases, já que repetia cada palavra duas ou três vezes enquanto tentava recuperar o fôlego.

— A moral é que, mesmo depois de Coyote Dick sair do meio das urtigas, elas

fizeram seu pau coçar feito louco para todo o sempre. E é por isso que os homens estão sempre chegando perto das mulheres e querendo se esfregar nelas com aquele olhar de “Estou com uma coceira”. Pois é, aquele pau universal está coçando desde a primeira vez que fugiu do dono.

Não sei o que deu em mim, mas ficamos ali sentadas na cozinha, rindo aos guinchos e batendo na mesa até praticamente perdermos o controle dos músculos.

Depois, a sensação me pareceu semelhante àquela de ter comido um bom pedaço de raiz-forte. É esse o tipo de história que eu realmente acho que Baubo contou. Seu repertório inclui qualquer coisa que faça as mulheres rirem desse jeito, desenfreadas, sem ligar para as amídalas aparecerem, com a barriga solta, com os seios balançando.

Há algo numa risada sexual que é diferente de uma risada sobre temas mais

educados. Uma risada “sexual” parece chegar longe e fundo na psique, sacudindo todos os tipos de coisas, tocando nos nossos ossos e fazendo com que uma sensação agradável corra por nosso corpo. Ela é uma forma de prazer selvagem que está à vontade no repertório psíquico de qualquer mulher.

O sagrado e o sensual/sexual vivem muito próximos um do outro na psique,

pois, eles despertam nossa atenção por meio de uma sensação de assombro, não por alguma racionalização, mas pela vivência de alguma experiência física do corpo, algo que instantaneamente ou para sempre nos muda, nos sacode, nos leva ao ápice, abranda nossas rugas, nos dá um passo de dança, um assobio, uma verdadeira explosão de vida.

No sagrado, no obsceno, no sexual, há sempre uma risada selvagem à espera,

um curto período de riso silencioso, a gargalhada de velha obscena, o chiado que é um riso, a risada que é selvagem e animalesca ou o trinado que é como uma volata. O riso é um lado oculto da sexualidade feminina: ele é físico, essencial, arrebatador, revitalizante e, portanto, excitante. É um tipo de sexualidade que não tem objetivo, como a excitação genital. É uma sexualidade da alegria, só pelo momento, um verdadeiro amor sensual que voa solto e que vive, morre e volta a viver da sua própria energia. Ele é sagrado por ser tão medicinal. É sensual por despertar o corpo e as

emoções. Ele é sexual por ser excitante e gerar ondas de prazer. Ele não é

unidimensional, pois o riso é algo que compartilhamos com nosso próprio self bem como com muitos outros. É a sexualidade mais selvagem da mulher.

Segue-se mais um exemplo de histórias de mulheres e de deusas sujas. Essa

história conheci quando criança. É surpreendente o que as crianças ouvem que os adultos acham que elas não ouvem.

 

Uma viagem a Ruanda

Eu tinha cerca de doze anos, e estávamos no lago Big Bass no norte de

Michigan. Depois de preparar o café da manhã e o almoço para quarenta pessoas, todas as minhas parentas redondas e bonitas, minha mãe e minhas tias, estavam deitadas ao sol em espreguiçadeiras, conversando e contando piadas. Os homens estavam “pescando” — o que significava que eles estavam se divertindo, dizendo palavrões e contando suas próprias histórias e piadas. Eu estava brincando por perto das mulheres.

De repente, ouvi uns guinchos agudos. Alarmada, corri para onde as mulheres

estavam. Mas elas não estavam gritando de dor. Elas estavam rindo, e uma das minhas tias não parava de repetir sempre que recuperava o fôlego entre os gritos, “… cobriram o rosto… cobriram o rosto!” Essa frase misteriosa provocava novos acessos de riso em todas elas.

Elas ficaram muito tempo gritando, guinchando e recuperando o fôlego para

voltar a guinchar. No colo de uma das minhas tias havia uma revista. Mais tarde, quando todas elas cochilavam ao sol, tirei a revista da sua mão adormecida e me deitei debaixo da espreguiçadeira lendo com os olhos espantados. Na página havia um caso da Segunda Guerra Mundial. Eis o que dizia:

O general Eisenhower ia visitar suas tropas em Ruanda. [Poderia ter sido

Bornéu. Poderia ter sido o general MacArthur. Os nomes não significavam muito para mim naquela época.] O governador queria que todas as mulheres nativas se postassem ao longo da estrada de terra para dar vivas e acenar em boas-vindas a Eisenhower quando ele passasse no seu jipe. O único problema era que as mulheres nativas nunca usavam roupa a não ser um colar de contas e às vezes um minúsculo cinto de correia.

Não, não, isso não seria conveniente. Portanto, o governador chamou o chefe

da tribo e lhe falou do seu problema.

— Não se preocupe — disse o chefe. Se o governador conseguisse algumas

dúzias de saias e blusas, ele se certificaria de que as mulheres se apresentariam vestidas nesse acontecimento especial. E esses trajes o governador e os missionários da região conseguiram obter.

No entanto, no dia do desfile e apenas poucos minutos antes de Eisenhower

descer pela longa estrada no seu jipe, descobriu-se que apesar de todas as mulheres estarem usando obedientemente as saias, elas não haviam gostado das blusas e as haviam deixado em casa. Pois agora todas as mulheres; estavam enfileiradas dos dois lados da estrada, com saias, mas com o peito nu, e sem mais nenhuma roupa, nem

mesmo roupa de baixo.

Ora, o governador ficou apoplético ao saber disso e convocou, irado, o chefe.

Este lhe assegurou que sua mulher havia conversado com ele, garantindo-lhe que as mulheres haviam concordado com um plano para cobrir os seios quando o general estivesse passando.

— Você tem certeza? — berrou o governador.

— Tenho toda a certeza — respondeu o chefe. Bem, não havia muito tempo

para discutir, e nós só podemos tentar adivinhar qual foi a reação do general

Eisenhower quando seu jipe veio passando ruidoso e uma mulher de seios nus atrás da outra levantava graciosamente a frente da saia rodada e cobria o rosto com ela.

Fiquei deitada debaixo da espreguiçadeira abafando meu riso Era a história

mais tola que eu já havia ouvido. Era uma história maravilhosa, uma história

excitante. Mas por intuição eu sabia também que ela era ilícita, por isso guardei-a para mim por muitos e muitos anos. E às vezes em meio a situações difíceis, em épocas de tensão e mesmo antes de fazer provas na faculdade, eu pensava nas mulheres de Ruanda cobrindo o rosto com a saia, e sem dúvida rindo por trás dela. E eu ria e me sentia firme, forte, com os pés na terra.

Esse é sem dúvida o outro benefício das piadas e do riso compartilhado das

mulheres. Tudo se torna um remédio para os tempos difíceis, um fortificante para mais tarde. É uma diversão boa, limpa, suja. Podemos imaginar o sexual e o irreverente como algo sagrado? Podemos, especialmente se atua como medicamento.

Jung observou que, se alguém procura seu consultório queixando-se por um motivo sexual, o verdadeiro motivo muitas vezes era mais um problema do espírito e da alma. Quando uma pessoa relatava um problema de natureza espiritual, muitas vezes era na realidade um problema de ordem sexual.

Nesse sentido, a sexualidade pode ser imaginada como um bálsamo para o

espírito, sendo, portanto, sagrada. Quando o riso sexual é medicinal, ele é um riso sagrado. E aquilo que provoca o riso medicinal é também sagrado. Quando o riso ajuda sem prejudicar, quando ele alivia, reorganiza, põe em ordem, reafirma a força e o poder, esse é o riso que gera a saúde. Quando o riso deixa as pessoas alegres por estarem vivas, felizes por estarem aqui, com maior consciência do amor, elevadas pelos erros, quando ele desfaz sua tristeza e as isola da raiva, ele é sagrado. Quando elas se tornam maiores, melhores, mais generosas, mais sensíveis, ele é sagrado.

No arquétipo da Mulher Selvagem, há muito espaço para a natureza das

deusas sujas. Na natureza selvagem, o sagrado e o irreverente, o sagrado e o sexual, não estão separados, mas vivem juntos como imagino um grupo de velhas esperando na estrada que nós apareçamos. Elas estão ali na sua psique, esperando que você apareça, experimentando suas histórias umas com as outras e rindo como loucas.

A ereção, pilar do tantra

Novembro 12, 2008 by tantraterapia

duro

 

O vigor e a duração das ereções aquilatam a virilidade: o homem broxa é considerado impotente, seja lá qual for seu perímetro torácico e o tamanho dos seus bíceps. Quanto á resistência, o tantra classifica de ejaculador precoce qualquer homem incapaz de agüentar, pelo menos até o êxtase da parceira. O homem que  sabe se controlar é considerado viril, simplesmente, visto que o tantra requer o domínio total da ejaculação, que interrompe de imediato a experiência tântrica, descarregando as baterias do homem. Isso impede o Shiva de chegar ao orgasmo total, do tipo feminino, e deixa Shakti a ver navios.

     Ora, a prática de certos exercícios garante ereções bem mais vigorosas do que as não-tântrico, mesmo normalmente viril, e, além disso, o lingan pode enrijecer durante horas, sem fraquejar. Com isso, o potencial sexual masculino não é mais limitado, e a ereção, longe de esgotar a energia física ou psíquica, exalta-as.

     A ereção é, portanto, o pilar que sustenta qualquer experiência sexual, masculina e feminina, profana ou tântrica: nem o impotente, nem o ejaculador precoce podem pretender converter a união sexual em experiência espiritual. Felizmente, ambos são recuperáveis e os exercícios descritos neste capítulo gratificarão o adepto com uma potencia erétil ilimitada, eliminando tanto a impotência quanto a ejaculação precoce.

     Como vimos, a ereção é uma maravilha da engenharia biológica. Ora, quando ela sobrevém, o homem tem mais com que se preocupar além de se extasiar com ela; e mais ainda… quando ela não vem! Mas antes dos exercícios práticos anunciados, e para melhor compreendê-los, dediquemos alguns minutos para resumir o essencial da filosofia da ereção, descrita em detalhes nas páginas precedentes.

     Recordemos: durante a excitação sexual, os nervos genitais relaxam as válvulas dos tecidos esponjosos do corpo cavernoso, abrindo-as assim para o afluxo sanguíneo: o pênis flácido ergue a cabeça. Importante: a ereção começa por um relaxamento! Mesmo sem excitação erótica, fatores puramente fisiológicos podem produzi-la: é o caso clássico da ereção matinal causada por bexiga cheia. Mas a maioria das ereções decorre de um estímulo cerebral, portanto, depende de psiquismo. Conclusão: a quase totalidade das impotências têm uma causa psíquica e não fisiológica, embora excessos sexuais com ejaculações freqüentes possam acarretar uma impotência passageira, um “ponto – morto”: um jejum sexual mais ou menos prolongado volta  a normalizar a situação. Para o homem que não ejacula ou o faz raramente, contatos sexuais freqüentes não afetam o seu potencial sexual nem sua vitalidade, pelo contrário!

     Quando o Linga levanta porque está cheio de sangue, este é retido no órgão pela contração dos músculos compressores e ejaculadores que, assim, mantêm a ereção. Após a ejaculação, eles relaxam, o sangue escoa o e Linga amolece.

     E agora falemos sobre músculos, pois o Linga é musculado! Os músculos bulbocavernosos trazem o pênis rígido para perto do corpo, impelindo-o para frente e para o alto. Quanto mais potentes, mais vigorosamente o Linga se erguerá, mas, também – fato capital- comprimindo-o na base, eles contribuirão para reter o sangue no órgão, o que mantêm a ereção.

    O Tantra quer fortalecer esses três músculos eretores: o compressor da uretra, os transversos do períneo e os bulbocavernosos. Quanto aos músculos não há milagres nem mistério: o (único?) meio infalível de fortalecê-los é o exercício! Já os contatos sexuais tantricos, freqüentes e prolongados, tonificam-nos admiravelmente, mesmo sem exercícios especiais.

Esse fato, por si só, já explica porque os anos que passam, para o tântrico, longe de enfraquecerem seu vigor sexual – e simplesmente seu vigor! – aumentam-no: sua vitalidade continua intacta mesmo em idade avançada e ele deve sua espantosa juvenilidade especialmente aos hormônios secretados pelas gônadas.

     Outro resultado, inesperado, até mesma incrível: o desenvolvimento do Linga. Desde que o homem é homem, em todas as latitudes, ele se esforça para inventar truques e expedientes para aumentar o tamanho do membro viril, a maioria deles decididamente ineficazes ou, no máximo, de efeito passageiro. Entre eles citemos um aparelho controvertido, baseado no princípio da ventosa, composto de um cilindro, no qual o pênis é introduzido, e de uma pêra de borracha que provoca no cilindro um vácuo relativo, e isso impele o sangue para o órgão, cujos capilares dilatam mais que o costume. O membro se alonga e intumesce além de seu tamanho usual, mas, infelizmente, esse ganho quase não subsiste. Na controvérsia temos, de um lado, os vendedores desses aparelhos, cujo uso não é sem conseqüências, que asseguram que com persistência o efeito torna permanente; de outro lado estão os fisiologistas, a sustentar que o pênis não pode ultrapassar o tamanho a que se chegou  na idade adulta. Eu acato a opinião do fisiologista sobre a imutabilidade do tamanho do pênis, mas com uma ressalva. De fato, mesmo numa ereção intensa, a brevidade dos contatos sexuais não concede aos capilares do pênis o tempo necessário para atingirem sua distensão fisiológica máxima. O citado aparelho dilata-os mecanicamente, com o risco de passar dos  limites e, portanto, provocar lesões. Em contrapartida, ereções vigorosas, prolongadas e freqüentes tornam os capilares flexíveis e os abrem; graças a isso o linga chega a seu tamanho verdadeiro. Conclusão: para a maioria dos homens, o pênis ereto fica abaixo do tamanho real possível!  Os tantricos obtêm o resultado máximo, sem sucção mecânica externa, apenas com pressão interna e fisiológica do sangue nos capilares, portanto, sem perigo.

     Um outro fator de desenvolvimento, real e duradouro, que nenhum outro método proporciona: fortalecer, pelo exercício, os  músculos da  base do linga.

     Mas voltemos um instante no tamanho do pênis. Os textos tântricos citam comprimentos de 25 a 30 centímetros, que assombram ou… fazem as Shaktis sonharem ! O fisiologista cético dirá que a norma é de 15 a 18 centímetros para o pênis ereto, e que 30 centímetros é gabolice. Então os tâtricos são “superdotados” ou mentirosos? Nem um nem outro: basta definir onde começa o linga! Enquanto nós o medimos a partir do púbis, os tântricos partem de sua raiz (mûladhara chackra, o chakra raiz) no bulbo perineano, portanto, logo á frente do ânus. Distinção fútil? Não. Durante a união sexual, tomar consciência de todo o comprimento do linga, da raiz até a extremidade da glande, muda muito as coisas, acreditem: observe isso no seu próximo contato!

 

Os exercícios

 

Os objetivos:

a) tomar consciência do complexo muscular genital em seu conjunto;

b) fortalecê-lo;

c) isolar e contrair separadamente estes músculos.

     Comparando os músculos genitais dos dois sexos, vemos que, apesar das aparências, eles são muito semelhantes e, de fato, homólogos: encontramos os mesmos músculos com os mesmos nomes!  Portanto é normal e lógico aconselhar mais ou menos os mesmos exercícios, tanto para o Shiva quanto para a Shakti.

 

 

O Mula Bandha

 

A prática de base é mula bandha. Como os músculos do ânus (esfíncteres externo e interno e eretor do ânus) são solidários, graças ao mula bandha, durante as contrações, percebemos que elas vão além da região anal e que se propagam a todos os  músculos do linga: sentimos até o cóccix mexer! Em semi-ereção, podemos ver o efeito dessa contração: os eretores levantam o linga por trancos. Quando a ereção é completa, é similar, mas menos visível. Graças a esses músculos, o linga pode responder ás contrações rítmicas da yoni, e essa “linguagem secreta” proporciona ao casal sensações voluptuosas novas, que intensificam a ereção sem risco de ejaculação intempestiva.

     Mula bandha pode ser praticado em qualquer lugar, momento e posição: sentado, deitado, até mesmo de pé, até mesmo em shirsâsana, ou seja, sobre a cabeça! Aliás, muitos yogues aproveitam sua seção diária de âsanas para praticar mula bandha. No começo, assim como para a mulher, todo o complexo muscular reage em bloco. Depois, com a concentração e a prática perseverante, consegue-se dissociar os músculos do linga dos músculos do ânus e do reto.

     Isolaremos e contrairemos separadamente cada um desses músculos, depois, relaxaremos á vontade. Aqui, a prática do Shiva difere da Shakti,que não tem de inibir a ejaculação:ela se limita a desenvolver e controlar sua musculatura vaginal.

     O Shiva praticará os mesmo exercícios destinados ao controle vaginal, portanto, remeto ao capítulo ad hoc, inclusive o “bambolê”, pois o homem também precisa de uma bacia bem móvel.

     O Shiva deve, portanto, ser capaz de relaxar esses mesmos músculos rapidamente e a fundo. De fato, se nos observarmos na hora da ejaculação, sentimos que o espasmo se propaga aos músculos ejaculadores (cf. os mecanismos da ejaculação): isso ajuda a localizá-los. Um procedimento para inibir a ejaculação consiste em relaxar imediatamente assim que perceber a aproximação do ponto limite.

     Prática: faça inicialmente os exercícios destinados a fortalecer e depois isolar os músculos do ânus, do períneo e do pênis, pois será preciso aprender a relaxá-los em todas as posições: de pé, sentado, deitado ou num âsana yogue.

     Para isso, dirija meu pensamento, calmo e distendido, á zona genital; depois; respirando lenta e profundamente, relaxe a fundo os esfíncteres e o eretor do ânus, depois o transverso do períneo e, enfim, os isquiocavernosos e o bulbo. Conceda-se tempo necessário para relaxá-los completamente. Mais tarde, treine para distendê-los cada vez mais rápido e poder, no maithuna, relaxá-los quase que instantaneamente á aproximação do ponto limite, assim, evitar uma ejaculação inoportuna.

     Eis outro procedimento para controlar a musculatura anal-perineana. É simples: quando for defecar, aprenda a dissociar duas operações, ou seja, não urine enquanto estiver evacuando os excrementos. No começo é difícil, mas logo se consegue facilmente. Isso faz você se conscientizar dos músculos, em parte comuns, que comandam a uretra, dos que comandam a ejaculação, para conseguir controlá-los.

     Esses procedimentos estão ao alcance de todos e tomam muito pouco tempo, pois podem ser praticados em momentos ociosos, discretamente, até em público.

 

 

Outro exercício de controle

 

Eis um procedimento suplementar, para inibir a ejaculação. O capítulo relativo aos músculos do escroto descreve,  especialmente, o darto e o cremaster, nosso suspensório natural. Esses músculos são pouco conhecidos: a maioria dos homens vê as bolsas escrotais como simples sacos de pele. Ora, o cremaster (do grego Kremaster – suspensor)­ envolve os testículos, mas sua  função vai muito além do papel de sustentador que lhe é atribuído pela etimologia. De fato, ao se contrair, ele levanta os testículos e os aproxima do corpo, especialmente para aquecê-los, contribuindo assim para sua termorregulação, essencial á espermatogênese, portanto á sobrevivência da espécie.

     Quando se aproxima o ponto limite, ele impele os testículos para cima, aproxima-os do linga e assim coloca os condutos espermáticos em posição de ejaculação. De certa forma, ele “arma” o linga, como uma pistola pronta para tirar! Esses músculos costumam trabalhar sem intervenção consciente, mas não é difícil percebê-los e controlá-los. O processo é clássico: primeiro nos concentramos, depois, quando localizamos bem os músculos, podemos alternadamente contrai-los ou, pelo contrário, relaxá-los. Aproveitaremos momentos ociosos do dia (por exemplo, enquanto esperamos o sinal de trânsito abrir…) para pensar na região em questão; vamos pouco a pouco descobrindo sensações; depois imaginamos esses músculos se contraindo e se distendendo. No começo pouca coisa acontece, mas logo virão sinais encorajadores. Com um pouco de prática, podemos levantar ou abaixar as bolsas escrotais á vontade!

     Mesmo se, por falta de tempo, você não exercita, nada o impede de usar esta técnica de controle na maithuna.

     Apliquemos isso á meditação á dois e, especialmente, á via abrupta, em que o shiva namora o tempo todo com o ponto de não-retorno, portanto, quando os testículos ficam muito tempo em posição “armada” para a ejaculação. Em caso de alerta ou escorregão, além das técnicas de controle respiratório e muscular indicadas, nos concentramos nas bolsas escrotais e relaxamos o cremaster: assim que os testículos deixam, mesmo que um pouco, a posição de ejaculação, esta se torna proporcionalmente improvável. No começo, isso só é possível mantendo a imobilidade, mas, comum pouco de prática, consegue-se mesmo durante o vaivém  ritmado. Esse procedimento, muito eficaz, continua muito secreto.

   Uma observação. Ao começar a praticar o tantra, após um maithuna de uma ou duas horas sem ejacular, é normal que os testículos fiquem congestionados, pesados e quase doloridos durante, por exemplo, uma hora. Isso é um pouco desagradável, nada mais, e deve-se especialmente ao fato quede que também os músculos das bolsas podem se cansar… na verdade, ancilosar; inesperado, mas verdadeiro! Desprevenidos, os homens pensam em anomalias e se inquietam. Sosseguem, é totalmente inofensivo: é até um sinal de progresso no bom caminho. È como uma taxa de admissão a ser paga! Logo os músculos se fortalecem e a congestão se atenua, e depois desaparece: é coisa de alguns dias. Mas, se ficarmos incomodados, o remédio é simples: basta uma ducha de água moderadamente quente nas bolsas escrotais.

 

As bolsas da vida!

 

Além do vigor da ereção e de sua duração, um outro indício caracteriza a vitalidade masculina: o aspecto do tônus do escroto; dê uma olhada nas bolsas e verá! Se a pele é lisa e flácida, se os testículos estão intumescidos e pendentes, num “saco” bambo, sem dúvida a pessoa está fraca e senil, ou ambos. Em contrapartida, se ela é pregueada, rugosa como uma casca de árvore, se os testículos estão bem aderidos á base do linga, o dono desses atributos é jovem, robusto e viril; aliás, qualquer que seja sua idade.

     Então, você conhece o darto? Esse músculo viril é pouco conhecido. De fato, mesmo num homem jovem e robusto, as bolsas podem estar decaídas, por causa do calor ambiente. Ora, o darto, músculo delgado situado imediatamente sob a pele das bolsas, é, em grande parte, o responsável pelo tônus e pelo estado dos testículos, órgãos tão essenciais ao homem: a igreja não concede sacerdócio aos eunucos. Se faz muito calor, o darto relaxa e as bolsas descem. Senhores, os testículos se conservam melhor em temperatura fresca, até no frio! Não se enganem com o tom jovial deste texto: isso é muito sério.

   Mas porque então esses órgãos tão vitais têm uma localização tão vulnerável, fora do ventre, expostos aos choques e ás intempéries, em vez de estarem aninhados no calor e na segurança, dentro do ventre? Por uma simples questão de temperatura: eles só funcionam bem e a espermatogênese só transcorre corretamente numa temperatura de Graus C inferior á do corpo, que leva o refinamento ao ponto de pré esfriar o sangue que irriga os testículos. Conclusão (não estou brincando): muito mais que a mulher, o homem é que deveria usar saia, como os escoceses e os soldados gregos. Suas roupas eram roupas masculinas racionais e não o jeans. De fato, embora os testículos devam estar cingidos pelo darto, não é preciso comprimi-los com roupas muito apertadas.

   Será que eu ando por ai de Kilt? Não, nem mesmo em minha casa, mas se a moda pegasse, eu adotaria sem hesitar! Afinal, quem nos impediria de lançá-la: há coisas mais extravagantes!

   A termorregulação escrotal é um fenômeno complexo, sobre o qual não falarei. Vejamos a prática. Na falta do kilt, ou do antigo calção de couro bávaro, que batia no meio das coxas e deixava as correntes de ar passarem generosamente – nunca era lavado e passava de pai para filho-, é preciso encontrar um meio de tonificar o darto e os outros músculos das bolsas escrotais. Então, o mínimo cotidiano é a ducha escrotal, tão fria quanto for possível, precedida de uma fricção com luva de crina: essa pele não é sensível nem frágil. A ducha de mão serve para isso e não hesitaremos em colocar pressão na água! O banho de assento também é eficaz, por exemplo, no bidê cheio de água fria, que contrai o darto e os testículos; as bolsas, bem firmes, vão ao encontro do corpo. Quando fica muito frio, o cremaster se encarrega de reconduzir os testículos para bem perto do corpo e aquecê-los. Viva o frio, que estimula a produção hormonal das gônadas, cujo papel é  fundamental para a saúde e a juvenilidade do corpo

 

(Fonte: Tantra O culto a feminilidade – André Van Lysebeth)

 

 

 

 

  

  

 

Não seria o Tantra uma forma de indulgência?

Novembro 11, 2008 by tantraterapia

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E perguntaram ao mestre Osho:

Amado Osho, não seria o tantra uma forma de indulgência?

 

Não, o Tantra não o é. Ele é o único caminho para se sair da indulgência. É o único caminho para se sair da sexualidade. Nenhum outro caminho foi tão útil para o homem nesse sentido; todos os outros caminhos fizeram o homem mais e mais sexual.

O sexo não desapareceu. A religião o tornou apenas mais venenoso; ele ainda está aí, de uma forma envenenada. Ele não pode desaparecer porque ele é uma realidade biológica. O sexo é existencial. Simplesmente pela sua repressão ele não pode desaparecer. Ele só pode desaparecer quando você se torna tão alerta que possa liberar a energia aprisionada na sexualidade. Não é através da repressão que essa energia é liberada, mas através da compreensão. E uma vez que essa energia é liberada, retirada para fora da lama, o lótus… O lótus tem que brotar da lama, ele tem que ir alem dela, e a repressão leva o sexo para o fundo da lama. A lama segue reprimindo-o.

O que você tem feito ate agora, o que toda a humanidade tem feito, é reprimir o sexo no lodo do inconsciente. Continue reprimindo-o, sente-se sobre ele, não permita que ele se manifeste; mate-o através do jejum. Através da disciplina, indo para uma caverna nos Himalaias, mudando-se para um mosteiro onde, há centenas de anos, uma mulher nunca teve permissão de entrar; existem mosteiros onde, por centenas de anos, uma mulher nunca entrou. Essas são formas de repressão e elas criam mais e mais sexualidade e mais e mais sonhos de indulgência.

Não, o tantra não é uma forma de indulgência. Ele é o único caminho para a liberdade. O Tantra diz: o que quer que exista tem que ser compreendido, e através da compreensão, a mudança acontecerá espontaneamente.

Então escutando-me ou escutando a Saraha, não comece a pensar que ele está apoiando a sua indulgência. Você ficará em maus lençóis se acreditar nisso. Escute essa historia…

Um velho senhor, chamado Martin, foi a um medico fazer um exame: “Quero que você me diga o que há de errado comigo, dolutor. Sinto dores pelo corpo e não consigo entender o porquê delas. Eu tenho uma vida muito sadia – não fumo, não bebo nem vadio. Todas as noites, as nove horas, vou sozinho para a cama. Por que então estou me sentindo assim?”

“Qual a sua idade?”, perguntou o medico.

“Vou fazer setenta e um”, respondeu Martin.

“Bem, meu caro” disse o doutor, “afinal de contas você esta ficando velho, você tem que esperar que as coisas sejam assim. Mas você ainda tem muito tempo pela frente. Apenas relaxe e não se preocupe… Sugiro que você vá espairecer numa estação de águas”.

Assim, Martin foi para Hot Springs. E lá encontrou um outro senhor que aparentava ser tão velho e decrépito que Martin sentiu-se encorajado quanto a ele. “Irmão”, disse ele, “você certamente deve ter se cuidado muito para ter alcançado uma idade tão avançada. Eu vivi uma vida tranqüila, certinha, mas aposto que não tanto quanto você. Qual a sua formula para alcançar essa idade?”.

E o sujeito velho e enrugado lhe respondeu: “Pelo contrario, meu senhor. Quando eu tinha dezessete anos meu pai me disse: ‘Filho, vá e desfrute da vida. Coma, beba e se regozije ate não poder mais. Viva a vida intensamente. Em vez de se casar com uma mulher, fique solteiro e tenha dez. Gaste seu dinheiro  com o prazer, consigo mesmo, em vez de com uma esposa e filhos’. Sim: vinho, mulher e musica: a vida vivida em totalidade. Essa tem sido minha política em todos estes anos!”

“É parece que você aproveitou bem”, disse Martin. “Mas afinal, qual a sua idade?”

E o outro respondeu: “Vinte e quatro”.

 

A indulgência é uma forma de suicídio tanto quanto a repressão. Existem dois extremos que Buda diz que devemos evitar. Um extremo é a repressão, o outro é a indulgência. Fique simplesmente no centro: nem seja repressivo, nem seja indulgente. Simplesmente esteja no meio, observador, alerta, consciente.  É a sua vida – ela não deve ser reprimida, nem deve ser desperdiçada; ela deve ser compreendida.

É a sua vida; cuide-a, ame-a! Seja amigo dela! Se você puder ser camarada com sua vida ela lhe revelará muitos mistérios, ela lhe levará ao verdadeiro portal de Deus.

Mas o tantra não é indulgência de forma alguma. As pessoas reprimidas sempre pensam que o Tantra é indulgência. As suas mentes são muito obsessivas… Por exemplo: um homem que vai para um mosteiro e vive lá sem nem mesmo ver uma mulher, como pode ele acreditar que Saraha não está sendo indulgente quando ele vive com uma mulher? E não apenas vive, mas pratica coisas estranhas…senta-se nu em frente a uma mulher… a mulher está nua e ele fica observando-a…ou mesmo enquanto faz amor com a mulher ele prossegue observando-a…

Agora você não pode perceber o observar dele, você pode apenas perceber que ele está fazendo amor com uma mulher. E se você for repressivo, toda sua sexualidade reprimida virá à tona. Você começará a enlouquecer! E você projetará em Saraha tudo o que você reprimiu em você mesmo. E Saraha não está fazendo nada disso. Ele está se movendo em uma dimensão totalmente diferente. Ele não está realmente interessado no corpo. Ele quer ver o que é essa tal sexualidade, ele quer ver qual é essa atração, essa sedução que o orgasmo exerce sobre todos, ele quer descobrir o que é exatamente o orgasmo; ele quer ser meditativo no momento do pico, assim ele poderá encontrar a pista e a chave. Talvez exista lá a chave para abrir a porta para i divino. E na verdade ela existe.

Deus escondeu essa chave na sexualidade do homem. Por um lado, através do sexo a vida sobrevive; mas este é apenas um uso parcial de sua energia sexual. Por outro lado, se você se mover com total consciência em sua energia sexual, você irá encontrar a chave que pode lhe ajudar a penetrar na vida eterna. O outro aspecto, um aspecto mais elevado, é este, que você pode viver na eternidade.

A energia do sexo é a energia da vida.

Normalmente nós não vamos alem do portal. Nós nunca adentramos no palácio. Saraha estava tentando entrar no palácio. Mas certamente aquelas pessoas que foram até o rei eram pessoas reprimidas, como são reprimidas todas as pessoas.

Os políticos e os padres têm que pregar a repressão, porque é apenas através dela que as pessoas se tornam alienadas. E você pode governar pessoas alienadas mais facilmente do que as pessoas sadias. E quando as pessoas são alienadas em suas energias sexuais, elas começam a se mover em outras direções: elas começam a se mover na direção do dinheiro, poder e prestigio. Elas têm que mostrar sua energia sexual em um lugar ou outro; esta energia está borbulhando nelas, elas tem que libertar essa energia de uma forma ou de outra. Então, a fixação por dinheiro ou o vicio pelo poder se tornam as formas pelas quais as pessoas liberam essa energia.

Toda esta sociedade é obcecada pelo sexo. Se a obsessão pelo sexo desaparecer da Terra, as pessoas não continuarão sendo tão loucas por dinheiro – quem irá se incomodar com dinheiro? E as pessoas não irão se incomodar com o poder. Ninguém vai ambicionar se tornar um presidente ou primeiro ministro; por quê? A vida é tão tremendamente bonita em sua simplicidade, ela é tão soberba em sua mediocridade, por que iria uma pessoa querer se tornar alguém? Ser apenas ninguém é tão delicioso, nada mais está faltando. Mas se você destrói a sexualidade das pessoas e as torna reprimidas, elas sentirão falta de tantas coisas que estarão sempre ambicionando: em algum lugar deve existir o prazer, aqui ele está faltando.

O sexo é uma das atividades dadas por Deus e pela natureza na qual você é sempre trazido de volta ao momento presente. Usualmente você nunca está no presente, exceto quando você esta fazendo amor e, aí também, apenas por uns poucos segundos.

O Tantra diz que o sexo deve ser compreendido, decodificado. Se p sexo é tão vital que a vida provém dele, então deve haver algo mais nele. E esse algo mais é a pista que o conduz na direção da divindade, na direção de Deus.

 

A visão Tantrica – Osho